Base da pirâmide, baixa renda ou mercado da maioria? (ou ainda, “a tão falada classe C no mundo e quem são esses brasileiros”)

outubro 2, 2009

São vários os parâmetros que identificam a classe C: pela FGV, classe C é quem tem uma renda média familiar mensal compreendida entre R$ 1.506 e R$ 4.565, de acordo com a ABEP (Associação Brasileira de Estudos Populacionais), possuem renda familiar até R$ 1, 194,53 e de acordo com a pesquisa Ipsos/Cetelem são aqueles que ganham até R$ 1.100,00.

Não existem parâmetros reais para identificar pessoas e seus grupos de consumo. Os critérios de classes A, B, C, D e E é usado em pouquíssimos países. Prova disso é que muitas famílias brasileiras podem ser consideradas classe B, bem como D. Entram nessa soma aparelhos eletrônicos, quantidade de eletrodomésticos, renda salarial e viagens realizadas ao exterior. Pergunta: jovens adultos com renda média de R$ 2, 500, que dividem apartamento e viajam uma vez por ano ao exterior se enquadram em qual classe?

Na Índia, a indústria cinematográfica vende mais de 3,1 bilhões de ingressos por ano (Hollywood vende 2,9 bilhões por ano). Ficou surpreso? Tem mais: em Nollywood (festival de cinema nigeriano) são produzidos mais de 1.200 filmes por ano, o que gera um faturamento de U$ 250 milhões de dólares/ano. Bollywood e Nollywood se destacam pela quantidade de filmes produzidos, a baixo custo e com uma alta demanda. É outro modelo de negócio. Os ingressos são simbólicos (menos de R$ 1), apenas para pagar os custos de produção. Voltando ao Brasil, na cena musical, outra banda bastante conhecida nossa, Calypso, fez sucesso também com gravação e a distribuição própria de seus CDs, com custos menores que as gravadoras.

Vamos aos dados que nos chamam atenção sobre a classe C, D e E: representam 85% da população brasileira, detém 69% dos cartões de crédito e são 75% dos internautas. Quer mais? É óbvio dizer que são eles que fazem a economia girar (movimentam R$ 760 bilhões por ano) e que são pra eles que devemos direcionar o nosso olhar (concentram 76% do consumo nacional). Ou seja, são 85% da população brasileira que recebe até 10 salários mínimos por mês e que não se incomoda em pagar a mais por algum produto. Pra eles, o que conta é o benefício. Bom deixar claro que tecnologia e educação são encaradas como investimento.

É, meu povo. Vamos abrir os olhos para essa galera. Alguns pontos que devem ser lembrados sobre o “mercado da maioria”:

- Eles compram para fazer parte de um grupo, sabem analisar muito bem o que querem e não se intimidam com valores (antigamente o sonho era comprar uma televisão, hoje eles passam nas Casas Bahia e compram uma LCD de 42”em 12x no carnê). É o consumo de inclusão.

- Boa aparência é sinônimo de aceitação e inclusão em novos grupos.

- Tem consciência de onde vem e para onde querem ir. Lutam pelos seus ideais e valorizam cada conquista. Os jovens dessas classes participam mais ativamente nas decisões de consumo porque participam da renda familiar.

- Estão conectados à web e principalmente às redes sociais.

A Regina Casé apresentou, no final de 2008, no quadro Central da Periferia, no Fantástico, uma série sobre Lan Houses (ou melhor, a própria Regina afirma em um dos vídeos da série que: “essa foi uma série sobre a relação cada vez mais intensa entre tecnologia e periferia no Brasil”). Para quem ainda não viu, vale a pena assistir e perceber o universo da maioria de quem estamos falando. Programa espetacular.

Vocês encontram mais aqui.

E é isso, ganha mais quem entender esse público e como se aproximar dele.

Obs.: Partes dos dados apresentados aqui foram citados no Encontro Nacional de Anunciantes em SP, nos dias 29 e 30 de setembro de 2009.
Referências: Meio e Mensagem, BlueBus, Wikipedia e Mergulho na base da Pirâmide, de André Torreta, editora Saraiva.

2 Responses to “Base da pirâmide, baixa renda ou mercado da maioria? (ou ainda, “a tão falada classe C no mundo e quem são esses brasileiros”)”

  1. @gabrieleite Says:

    Ingrid achei que você foi muito sábia nas palavras, concordo 100% com você. O que mais chamou minha atenção foi à fatia de 75% dada as classes C, D e E na internet. Realmente bastante significativo, mostrando que internet hoje não é mais privilégio de poucos, e sim de muitos. Na internet, diferente da vida real, se é que a internet considera-se ainda virtual, nós podemos observar que nem sempre quem tem dinheiro é detentor de poder exclusivo e influenciador, muitas vezes um blogueiro ou um amigo no MSN, mero consumidor como você, tem mais relevância influenciadora e decisória de compra que a própria empresa, jornal, portal. Isso mostra que cada vez mais as classes C, D, E estarão dominando a internet e influenciando pessoas. A propagação das lan-houses, os baixos preços dos computadores e as redes sociais contribuem para esse crescimento.

    Hoje já é hipocrisia se dizer que o crescimento da internet se dá apenas a grande fonte de pesquisa e auxílio à educação. O crescimento se dá a uma série de fatores e esse é apenas um deles, muito importante por sinal. Porém, as redes sociais como Orkut e comunicadores instantâneos como MSN motivam e estimulam cada vez mais pessoas a entrarem na “net”. No Brasil, a cada 10 pessoas, 8 estão em alguma rede social, além de ser o segundo país em usuários no MSN, comprovando a tese. Ou seja, na internet relacionamento é tudo. Percebemos agora a explosão que está sendo o micro-blog Twitter, com crescimento em 2008 no Brasil de 900% e mais de 300% só no primeiro semestre de 2009.

    Desenvolve-se então um novo tipo de consumidor e comportamento na rede, a web 2.0 termo que representa essa nova forma de se comunicar na internet, tem como seu principal pilar a interatividade, dando ainda mais credibilidade ao fator relacionamento. Enfim, As empresas não são mais detentora do poder único de influenciadoras e propagadoras de informação, as próprias pessoas se tornam veículos. Outra citação sua que gostei muito foi a respeito do consumo de inclusão, achei formidável. Parabéns pelo post e muito sucesso na carreira profissional e p/ o blog. Insere esse post no seu blog na rede social http://www.geracaodigital.ning.com ficou muito bom! Vamos compartilhar! Pense Digital!

  2. mvfm56 Says:

    Bom, é algo pessoal mas que eu acredito bastante e que mesmo não trabalhando no momento, reconheço como uma boa fonte de conhecimento da classe C, rap e hip hop. Não os que só falam da guerra do tráfico e afins, tem muito rap que fala justamente desse público da classe C. Texto muito bom.


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